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Todos conhecem a história da invasão da Grécia pelo imperador Persa Xérxes e a defesa suicida de suas terras empreendida pelo Espartano Leônidas e seus 300 guerreiros no desfiladeiro das Termópilas. Foi uma luta de extremos, de um lado um exército numeroso e com poder de fogo muito superior comandado por um soberano que se considerava um Deus - Vivo com poderes inimagináveis destinado apenas a comandar, do outro um punhado de guerreiros movidos por um espírito inabalável e pela firme intenção de defender sua terra e principalmente os seus entes queridos do julgo impiedoso do invasor.
Enquanto um lado se valia do uso da força, da coerção e da ameaça, o outro não via outra opção à não ser resistir lançando mão de todos os recursos que dispunha.
É exatamente neste ponto que traço o paralelo entre nossas duas Termópilas, a Grega e a Pernambucana. Esta última não tem exércitos, mas tem o mesmo conflito básico da primeira, o uso da força, da coerção e da ameaça contra um punhado de homens lutando por melhores condições de vida para si e para os seus.
Esta semana o Comandante Geral da PMPE, ao saber que 300 de seus soldados foram aprovados no concurso da Polícia Civil e consequentemente estão com os dias de caserna contados, exarou uma ordem em forma de suplemento informativo, determinando aos Comandantes de Unidade (batalhões, companhias etc.), que proibissem seus comandados que houvessem sido aprovados no citado concurso de flexibilizar seus horários de trabalho no intuito de comparecer às aulas do curso de formação da Polícia Civil que se iniciará dia 28 deste mês. Diz o artigo 3º da portaria: "Proibir os comandantes, chefes e diretores de dispensarem os militares que lhe estiverem diretamente subordinados para participar do curso em comento, bem como de qualquer outro curso de formação para ingresso em carreira estranha ao serviço policial militar, em desacordo com as normas previstas nesta portaria".
Tal qual um moderno Xérxes, o Comandante Geral da PMPE, (possivelmente incorporado do espírito do Deus - Vivo Persa), tenta tomar em suas mãos o destino e as vontades destes modernos 300 guerreiros (não de Esparta, mas de Pernambuco), em um ato de flagrante abuso de seu poder em um suposto esforço para, segundo suas próprias palavras, “... não prejudicar o contexto da segurança da sociedade...”. O nobre Oficial de forma similar ao antigo imperador, talvez acredite que interferindo diretamente no livre arbítrio de seus subordinados, ou pelo menos tentando, forçosamente impedirá que estes abandonem a PMPE, ou pelo menos, que alguns desistam diante da dificuldade imposta aos mesmos. E aqui encontrei as similaridades entre as duas histórias e conto com a compreensão dos leitores no sentido de me ajudar a expressá-las.
Tal qual os 300 guerreiros de Leônidas, os citados 300 militares da PMPE travarão agora uma batalha em diversos campos, intramuros na instituição ou nas raias da justiça, eles terão que lutar no intuito de defender o interesse próprio e mais ainda o interesse e a segurança dos seus dependentes. Se não tem à sua porta um exército de milhares de invasores, esses espartanos modernos têm dificuldades sociais e financeiras que os oprimem e forçam a tomada de atitudes como a de fazer um concurso para sair de sua corporação.
É sacrificante manter uma família com um salário de pouco mais de R$800,00 por mês, mais ainda quando se vive em locais com custo de vida mais elevado, como é o caso de Recife, e outras cidades de maior porte do estado. E a melhoria financeira nem é tão grande assim, mas, qualquer melhoria é melhor do que a ausência de horizonte oferecida pela sua instituição atual. Ausência de horizonte esta, que deveria ser a real preocupação do Comandante da Instituição, que ao invés de chorar pelos militares que irá perder e ter de tomar atitudes desesperadas na intenção de impedir que deixem à instituição, deveria se preocupar em descobrir qual o erro que a PMPE está cometendo para que tantos queiram abandoná-la.
Qual a explicação para essa fuga da PMPE? Por que tantos querem deixá-la e principalmente, por que não torná-la mais atraente aos seus membros ao invés de tomar medidas ditatoriais contra estes.
Será que o moderno Xérxes ainda é movido pelas mesmas motivações daquele que um dia invadiu a Grécia e se contenta em exarar suas ordens à revelia daqueles que as cumprem, e assim como o imperador se considera um Deus - Vivo cuja vontade deve ser suprema e superior a de todos os que comanda. Possivelmente... ou talvez não. Talvez tal atitude seja um reflexo de impotência diante dos fatos, como aqueles que ao se molharem na chuva reclamam dos céus ao invés de se recriminam por terem esquecido a sombrinha.
Resta-nos esperar o desfecho da história, lembrando que apesar da vitória nas Termópilas, Xérxes foi expulso da Grécia e seu império destruído, e o exemplo grego de vontade contra todas as condições adversas resiste até hoje. Espero que os 300 espartanos modernos nos deixem também uma lição de perseverança e resistência, e quem sabe mais uma vez mostrem aos pseudo-deuses que a sua vontade não é tão soberana quanto eles possam imaginar.
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Cícero, você retratou a nossa indignação quanto ao que se tenta fazer dentro das nossas Organizações pelos que ainda teimam em cultuar essa doutrina militar que só serve as Unidades das FFAA,(pretendo discutir inúmeras vezes, neste Fórum, a questão dessa doutrina militar que só não serve para o cidadão que necessita de uma melhor prestação de serviço da PM e BM). Sabemos, e um dos nossos preceptores, em nosso Curso de Especialização em Políticas Públicas de Segurança, enfatizava que: Polícia Militar, Polícia Civil e Jabuticaba, só existem no Brasil, verdade cristalina. O seu artigo reflete a inexistência de uma política de pessoal dentro das organizações militares estaduais, em nosso Estado de Pernambuco, que estabeleça um nível de relacionamento bem mais duradouro de alguns militares estaduais com a Organização que o mesmo abraçou. Ora, como isso ocorreria, o jovem que é aprovado e integra uma das nossas Organizações Militares, em Pernambuco, deveria ter a oportunidade de galgar as primeiras graduações, mas só vislumbrará essa ascensão no mínimo depois de dez anos de serviço prestado. Qual a expectativa esse jovem tem hoje? Nenhuma. Evasões justificadas ou não? As Organizações Militares do Estado de Pernambuco, necessitam, URGENTEMENNNNNNNNNNNNNNNNNNNTE, de oxigenação em sua base de comandamento. Precisamos de Cabos e Sargentos jovens. Os militares estaduais antigos precisam também ascender, é claro, e acredito que ninguém tem a menor dúvida.Precisamos trabalhar junto, a experiência do Policial Antigo e a vitalidade do Jovem Comandante, doce de leite com goiabada, para alguns é bem mais gostoso.O que desejo expressar é que uma política de pessoal, que trate da ascensão, tem a obrigação de alcançar um grupo bem maior do que aquele que atualmente os seus tentáculos vêm alcançando, e os novos soldados não fazem parte desse universo de oportunidades. As cabeças pensantes de nossas Organizações estão abandonando a oportunidade de buscarem uma maneira legal para reverterem essa situação em que nos encontramos. Meu Irmão Cícero, o seu artigo faz-nos buscar as informações que se encontram nas entrelinhas, devido a riqueza do seu conteúdo.Você deve estar incomodando alguns companheiros que só abrirão os olhos quando as mudanças chegarem, e olha que elas batem em nossas portas, ou nos preparamos, ou sofreremos com as quebras dos inúmeros paradigmas.Valeu Cícero, obrigado por sua contribuição extremamente valorosa. Um tríplice e fraternal abraço. Edson José Figueredo da Silva - Carpina_PE.
Edson José Figueredo da Silva · Carpina (PE) · 22/4/2008 19:59
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