|
Foi Sir Robert Peel, um inglês, quem criou em 1829 a Polícia Metropolitana de Londres, isto depois de observar a anarquia e a perturbação coletiva em sua sociedade, sendo mundialmente o precursor do policiamento comunitário-interativo, onde policiais e cidadãos trabalham em conjunto.
Ele acreditava que o uso da força era um privilégio do cargo e que a mesma não deveria ser modelo de policiamento. Peel sepultou os atos repressivos da polícia inglesa.
Como no Brasil de hoje, naquele tempo a desigualdade social na Inglaterra era enorme e o distanciamento entre os ricos e pobres era abismal. Peel entendia que os serviços policiais deveriam ser prestados em tempo integral, bem como serem financiados pela Coroa.
A Polícia Metropolitana de Londres nasceu disciplinada, organizada militarmente, porém com a investidura civil para os seus membros. Segundo Cecília Minayo, a polícia inglesa se organizou a partir de uma crítica à tirania da polícia francesa.
É notório que a reforma da polícia no mundo teve o seu início com a criação da Polícia Metropolitana de Londres, sendo ainda hoje extremamente atual, a principiologia adotada à época para a modelagem inédita da segurança pública do Reino Unido.
O novaz modelo inglês lançou os alicerces da abordagem proativa que busca a história do crime, conhecendo os seus atores principais, seus locais habituais de ocorrência, suas causas e as soluções para evitá-lo, enquanto na abordagem reativa a polícia responde a cada incidente toda vez que ela é acionada pela central de operações, sem, contudo se preocupar com a história do incidente criminal.
Os nove princípios de Peel são: 1- a prevenção, 2- a necessidade de respeito público, 3- a cooperação do público para com a polícia, 4- a diminuição do uso da força física, 5- a imparcialidade da polícia, 6- o esgotamento de todas as possibilidades antes de qualquer ação de força, 7- a interação com a sociedade organizada, 8- a ação policial obedecendo à legalidade, e por fim, 9- a ausência do crime.
A grande descoberta inglesa foi a de que o teste de eficiência da polícia estava na ausência do crime e da desordem pública, e não na evidência da ação policial, e ainda de que a polícia é o público e o público é a polícia.
No Brasil, no início da década de 80 do séc. XX, o mentor das reformas policiais foi o notável coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, à época comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Após visitar a Police Foundation nos EUA, Nazareth Cerqueira introduziu na PMERJ a metodologia do policiamento comunitário que a partir daí se irradiou para o Espírito Santo, onde foi criada a mais relevante metodologia brasileira de interação com a comunidade, ou seja, a Polícia Interativa, iniciada em 1994 na cidade de Guaçuí e depois replicada em mais de duas dezenas de estados brasileiros.
Foi Nazareth Cerqueira quem alinhavou uma ampla reforma na polícia carioca, destacando-se como o pioneiro reformador policial de nosso país. No sepultamento de Nazareth Cerqueira, após ser, em 1999, barbaramente assassinado no centro da cidade do Rio de Janeiro, Rubens César Fernandes do Movimento Viva Rio, discursando deixou-nos a lapidar frase: “que as idéias do Nazareth Cerqueira não morram com ele”.
No Espírito Santo, através do exemplo de comunitarização iniciado em Alegre, nos idos de 1988 a mentalidade da polícia começou a ser transformada pela ação visionária do inteligente coronel Carlos Magno da Paz Nogueira. Intelectual dos mais renomados da polícia brasileira coube ao nosso Magno coronel, o Peel capixaba, irradiar uma perspectiva nova de fazer segurança pública, ensinando aos tenentes e capitães de então, seus fervorosos discípulos que o “povo conspira com quem o protege”.
Júlio Cezar Costa é tenente coronel Iealizador da Polícia Interativa na PMES.
|
|
Nenhum comentário até agora
|
|
| |
Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Fórum de Segurança Pública, e adicione seus comentários em seguida.
|
|
|
|