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O confronto entre Polícia Militar e Polícia Civil ocorrido aos redores do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, revela, aos olhos da história da polícia paulista, mais do que simples tentativa de grevistas desesperados, ou politicamente guiados, de levarem reivindicações salariais diretamente ao governador.
É também mais um capítulo da longeva rivalidade existente entre as corporações. As imagens de luta campal, de agressões inúteis entre policiais de corporações que deveriam ser irmãs mostram claramente a hostilidade e a falta de diálogo entre as mesmas.
Impressionou a intensa mobilização de homens, viaturas das duas instituições. Nesse caso, a Polícia Militar defendia a manutenção da ordem pública, e grevistas da Polícia Civil se esmeravam em ser arredios.
Já em 1961, foi a antiga Força Pública (FP), hoje, PM, que deu exemplo de indisciplina face ao executivo estadual e iniciou movimento grevista apoiado pela extinta Guarda Civil (GC) e combatido apenas com a intervenção do II Exército em São Paulo. Naquele momento, a Polícia Civil zelou pela ordem pública e se manteve em prontidão nas delegacias, ainda que os policiais civis também estivessem descontentes com o salário.
É de se pensar, porque as categorias não se uniram em 1961 e em 2008 nas reivindicações salariais?
Em 1961, havia no interior da FP e da GC uma subcultura formada pela crescente politização dos escalões inferiores, já que os insubordinados tiveram apoio de jornais, partidos e movimentos de esquerda ligados a sindicatos, ao movimento estudantil, e de políticos que se opunham ao então governador Carvalho Pinto. Já a Polícia Civil estava mais distante da efervescência política da época.
Já em 2008, parcela da Polícia Civil está ligada a movimentos sindicais que se opõem ao atual governo e a Polícia Militar demonstra neutralidade.
Além dessa importante diferença política, há também a questão da rivalidade. Verifica-se que desde, pelo menos, 1946 a relação entre as instituições é marcada por dissensões e conflitos. Cada instituição é marcada por uma cultura própria e age como se fosse auto-suficiente, única e busca incessantemente mais verbas, atribuições, equipamentos, efetivo e poder. Teme ter sua competência reduzida por uma reforma institucional que conceda maiores poderes à rival. Em comum, há o verdadeiro horror à palavra unificação.
Nesse contexto de rivalidades e influência política nas instituições policiais, nota-se que a segurança do cidadão é relegada a segundo plano. Dessa forma, prejudica-se sistema de segurança pública como um todo, pois a falta de ações coordenadas, conjuntas, entre as instituições acarreta não só desperdício orçamentário devido à existência de sistemas administrativos autônomos em cada corporação, de policiamento concorrente nas mesmas áreas, com a ineficiência de trabalho realizado sem planejamento, metas conjuntas, coordenadas, avaliadas pela Secretaria de Segurança Pública.
Os governadores paulistas sempre estiveram cientes das dificuldades materiais e salariais enfrentadas pela polícia e do desafio de acompanhar a demanda pelos serviços policiais. Entretanto, não enfrentam o imenso desafio político de iniciar um processo de reforma institucional que, certamente, colocaria em intensa atividade todos os mecanismos de defesa, resistência e pressão das corporações policiais.
O governo poderia economizar muito, se planejasse com eficiência a distribuição de recursos antes de ceder às pressões corporativas por mais verbas, contingente e poder, mas teria de resistir à tentação política de causar impacto positivo no eleitorado com contratações e aquisições de equipamentos.
A polícia paulista não foi reformada, treinada ou equipada, de forma eficaz, para atender às demandas do desenvolvimento do Estado, a percepção de aumento da criminalidade ou, ainda, para ter conduta plenamente condizente com o estado de direito. Para os que quiserem conhecer mais sobre a história da polícia ver nossa tese de doutorado Democracia e segurança pública em São Paulo (1946-1964), defendida no Departamento de Ciência Política da USP em 2007.
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Parabéns pela abordagem do tema; Porem cabe registrar que não tenho dúvidas que as partes envolvidos no confronto são vítimas de um sistema e de governos que exige que o policial tenha melhor preparo físico, melhor condição mental, conduta elibada, ações brilhantes mesmo sob pressão, aperfeçoamento continuo, a ainda é fiscalizado pela sociedade, superios, ouvidoria, corregedoria, Ministério Público, comissões de DDHH federal, estadual e municipal, e a julgado pela midia; Deixo claro que não defendo o mal policial muito menos o confronto, porem as exigências do carga devem ser proporcionalmento a seus ganhos...
Obrigado.
Paulo Rogério de Souza · São Paulo (SP) · 25/10/2008 12:08
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A polícia paulista não foi reformada, treinada ou equipada, de forma eficaz, para atender às demandas do desenvolvimento do Estado, a percepção de aumento da criminalidade ou, ainda, para ter conduta plenamente condizente com o estado de direito. Para os que quiserem conhecer mais sobre a história da polícia ver nossa tese de doutorado Democracia e segurança pública em São Paulo (1946-1964), defendida no Departamento de Ciência Política da USP em 2007.
Drª Thaís: Infelizmente, por essa frase, conclui-se que a Srª. partiu de um pressuposto de tempo e de espaço, cuja indução não condiz com a realidade em São Paulo. Seria necessário uma pesquisa mais detida nesse sentido, porque as estatísticas desmentem que a criminalidade tenha aumentado nos últimos anos. Por outra via, essa polícia contemporânea é a mais bem preparada da América do Sul, notadamente quando atende uma demanda de necessidades da população, afora a própria segurança, que muitas vezes não são de suas atribuições. Sugiro realizar estudo comparado com tantas outras organizações policiais do mundo, com tradições e culturas explícitamente diversas, como diversas são as do Brasil, mesmo em grandes metrópolis e regiões, pois V. Sª. chegará a preliminar conclusão de que os policiais que aqui prestam serviços públicos são verdeiros exemplos de promoção da dignidade humana, como muitos chefes de polícia que passaram a conhecer a realidade brasileira já atestaram.
Portanto, frases elaboradas de acordo com o "senso comum", p. e., "polícia despreparada", jamais podem partir de quem se preocupa com estudos científicos ligados à segurança pública.
Por outro lado, quem são e onde estão os verdadeiros culpados, que permitem que um "bando armado", supostamente escudados pela falta de política salarial, venha aagredir a democracia num estado de direito, desrespeitando valores éticos e de dignidade, violando a ordem pública? Como explicar a tentativa de homicídio perpetrada po um policial civil contra um Coronel da PM e que ninguém fala mais disso, durante aquela turba de policiais civis armados?
Continue pesquisando, a Senhora tem talento para separar o joio do trigo.
Abraços
Marco
Marco Antonio Alves Miguel · Marília (SP) · 25/10/2008 19:18
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Estimada Thaís,
No entanto assevero que não temos duas polícias, mas sim duas meias policias que degladiam e tripudiam para absorver a outra na seara política, infelizmente. Enquanto isso, a politicagem barata pela qual as força policiais são submetidas neste país a fim de buscar sedentamente por recursos, muitas das vezes despertam estes instintos animalescos. Os politicos, como afirmaram Pimentel e Padilha em seu artigo para a Folha, nadam de braçada neste mar de lama. No entanto, nada justifica os policiais-grevistas usarem do aparato estatal para manifestarem suas insatisfações, isso é um absurdo, viaturas, armas, coletes, usados pela PCSP em sua greve foi deplorável, categoria nenhuma nesse nosso país age dessa forma. Lamentável.
Fabrício de Andrade Raymundo · Brasília (DF) · 26/10/2008 11:38
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Senhora Thais, seu artigo é interessante, porém discordo que existe um verdadeiro horror da palavra unificação dentro das polícias como um todo, o que ocorre é que na polícia civil quem realmente decide os destinos de suas categorias são os sindicatos e não os Delegados. Estes Sindicatos sabem que uma polícia única não terá o direito a greve (imagine o que aconteceria ao pais com 24horas de greve da PM, quais das duas Polícias é realmente necessária?), por outro lado (na minha opinião) as PM´s até que gostariam da Unificação, teriam mais facilidade nesta unificação por terem o verdadeiro controle de seus policiais pois são militarizados e a perda do direito de greve em nada influenciaria na instituição pois não possuem este direito mesmo, porém ganhariam no ciclo completo de polícia, onde realmente prenderiam o criminoso e procederiam nos atos relacionados a sua prisão e encaminhamento ao Poder Judiciário, ou seja para resolver o problema do cidadão basta dar as Polícias Militares o poder de Fazer o Inquérito Policial Comum, visto que experiências estes têm pois já fazem o Inquérito Policial Militar e em algumas circunstancias os membros da PM (OFICIAIS) são empossados Juízes da Auditoria Militar, portanto tendo mais que competência para tais ações. Ocorre que silenciosamente estão sendo usurpadas as funções das policias militares pelo Brasil afora (viaturas da Policia Civil caracterizadas, "Investigações" da Policia Civil feitas em Helicópteros caracterizados???, fardas nas polícias civis e etc..) O que aconteceu em São Paulo em minha opinião não foi confronto e sim um bando atacando o estado representado pela PM, veja bem a unificação é importante mas do jeito que a sociedade está caminhando as Polícias Civis concentrando cada vez mais poder será complicado para um governador controlar uma turba armada, com equipamentos de uso restrito ao serviço e se achando os donos do pedaço, os governadores e a própria sociedade ficarão refém de uma Ditadura implantada por CIVIS no Brasil e terão que dar tudo o que quiserem sem poderem praticamente cobrar nada dos mesmos Será que é o que queremos para o futuro do País!. Materia veiculada na Imprensa dos Estados Unidos informa que dois estados de lá estão iniciando processo de militarização de suas policias sob o lema da eficiência, sendo elogiado pela sociedade americana!
Waldeci Ramalho · Brasília (DF) · 27/10/2008 22:30
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thaís, parabéns pelas suas colocações, descontando-se o senso comum, muito bem observado, por um dos comentaristas. Quero,porém, externar minha preocupação, com os seguintes,que de modo raivoso se dirigiram ao órgão Polícia Civil, julgando-a e condenando-a, apartir de um episódio envolvendo menos de 10% do efetivo daquela força policial. Não é de bom alvitre proferir tais julgamentos, pois cada instituição, cada órgão deste país têm em seus quadros homens e mulheres de bem e canalhas de toda espécie, eu prefiro acreditar nas pessoas de bem e julgar suas instituições e órgãos por elas, entendendo que todas são importantes na medida que realizam seus trabalhos, o aperfeiçoamento parte, ao meu ver, da boa vontade, principalmente a individual.
Sérgio Luiz Bezerra de Lima · Paulista (PE) · 27/10/2008 23:12
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Excelente artigo Thaís, porém em que pese alguns comentários corporativistas, quero dizer que os militares querem a qualquer custo, denegrir e condenar a atitude dos Policiais Civis do estado de São Paulo e é por isso que a população já conhecendo os trágicos e imensuráveis "ditadores", nunca aceitariam uma unificação na qual prevalecesse os interesses das PMs. É uma total falta de respeito com os policiais civis de todo Brasil quando integrantes das PMs ( sobretudo os Oficiais ), utilizam este valoroso espaço para se vangloriarem de serem " disciplinados" e com competência e capacidade para substituirem os nossos Delegados de Polícia. Os nossos policiais civis de todo Brasil devem repudiar toda e qualquer manifestação "tendenciosa" e inescrupulosa no sentido de militarizar cada vez mais a segurança pública no país. É simplesmente voltar aos "negros anos da nossa história" e dar a esse contingente "poder pleno" para invadir as nossas casas e matar nossos filhos, cobertos pelo manto do "estrito cumprimento do dever legal". Segurança Pública é "prestação de serviço ao cidadão" e não regime de governo ditatorial. Esses "coronéis" ultrapassados só querem cada vez mais ter o controle de todas as instituições nesse país. Um bom exemplo disso é que passam sua vida inteira "criticando" as Guardas Municipais", porém, quando se aposentam, procuram logo ter um cargo de Comandante dessas corporações de natureza Civil. A fogueira das vaidades no campo militar não tem fronteira e as Forças Armadas que se cuidem, pois daqui a pouco eles vão dizer que podem acabar com elas pois eles dão conta do recado. É brincadeira!!! Por hoje chega.
José da Paz de Souza · São Caetano do Sul (SP) · 3/11/2008 18:09
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Thaís, o seu artigo foi profícuo: gerou as mais diversas discussões e motivou diversos comentários. Quanto aos temas discutidos nestes comentários, gostaria de acrescentar que a atividade da Polícia Civil não é só investigativa: existe uma atividade cartorária bastante importante, existe uma atividade de escolta de presos e existe operações especiais exclusivas da Polícia Civil cuja eficácia é reconhecida e apreciada por aqueles que conhecem polícia no mundo inteiro. Por exemplo, as operações anti-sequestro. O DAS é um departamento que conhece o que faz. Investiga casos de sequestro, prende criminosos e salva reféns. Na fase investigativa não são necessários helicópteros... Mas, para invadir cativeiros, muitas vezes tais recursos são necessários. Além disso, a atividade da polícia judiciária, no mundo inteiro, é caracterizada pela inteligência e criatividade que são características próprias e pessoais dos integrantes de uma instituição que ensina a pensar, que estimula a reflexão e a independência... Muitas vezes um único investigador de polícia descobre um esquema criminoso utilizando sua capacidade de observação, sua flexibilidade diante das situações e, principalmente, sua inteligência. Estes são alguns dos diferenciais da polícia investigativa que alguns, inconformados, tendem a negar ou a subestimar. Nas sociedades modernas cada vez mais estes atributos serão valorizados.
Herbert Gonçalves Espuny · São Paulo (SP) · 4/11/2008 07:54
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Acho correto de certa forma seu artigo ,porém penso q o problema é ainda maior , como policial no RJ ,vejo q o ocorrido nada mais é do um dos vários sintomas de uma policia em estado terminal ,o ser humano ao longo dos anos vem sendo despresado por sucessivos governos , como se ele não fosse a peça mais importante desse sistema . O policial brasileiro hoje é um ser esgotado ,necessitado de atenção especial e preferencial , não adianta discutir o confronto entre as polícias e sim porque isto ocorreu , aonde foi que se errou , o policial esta passando fome ,ele mora mau , seus filhos não podem ter nada , sua estima é baixa ,ou seja há vários fatores negativos que o levam ao descontrole emocional.
Jorge de Jesuz da Silva · Rio de Janeiro (RJ) · 5/11/2008 18:51
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O artigo acerta na parte histórica (na análise do passado) mas comete equívocos lamentáveis e conclusões incondizentes com a realidade que desconhece sobre importantes questões atuais da segurança paulista.
De onde a Thaís tirou a idéia de que a segurança é relegada para segundo p´lano em São Paulo, que a polícia não foi reformada, treinada, equipada ou que trabalhe sem planejamento e sem avaliação? Será que ela sabe do trabalho do Tulio Kahn no planejamento e avaliação da SSP, um dos mais meticulosos do Brasil? Será que ela sabe que tenentes coronéis e delegados de primeira classe fazem juntos o Curso Superior de Polícia, curso de gestão estratégica? Será que a doutora sabe que a escola de formação de soldados de SP foi certificada com o ISO 9001 e ganhou prêmio de gestão de qualidade? E que essa escola básica é a de mais longa duração
e com o melhor treinamento de tiro do mundo? E que nenhuma polícia brasileira tem o conjunto de tecnologia de informação aplicada à segurança pública? E que não falta equipamentos e armamentos modernos nessa gigantesca polícia? E, SOBRETUDO, QUE A POLÍCIA PAULISTA TEVE A MAIOR TAXA DE REDUÇÃO DE HOMICÍDIOS DO PLANETA, JUSTAMENTE PORQUE INVESTIU EM EQUIPAMENTOS, TREINAMENTO, REORGANIZAÇÃO E GESTÃO? SABE ELA QUE A CIDADE DE SÃO PAULO TEM MENOS HOMICÍDIOS (POR 100 MIL HAB) DO QUE FLORIANÓPOLIS E CURITIBA?
Realmente não entendi a implicância da articulista e tamanha desinformação para quem faz tanta questão de mencionar seu doutorado.
José Vicente da Silva Filho
Coronel da reserva da PM de São Paulo
josé vicente da silva filho · São Paulo (SP) · 15/11/2008 11:27
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