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Empresário, Adm., Especialista, Instrutor e Pesquisador nas Áreas de Segurança
RESUMO:
Este estudo teve como objetivo analisar a eficiência da segurança publica, sobre a abordagem e conflitos para o controle de multidões nos esportes. Analisar a violência nos estádios buscando-se assim, compreender o motivo que leva várias pessoas a praticarem atos de total agressividade. Concluiu-se, nesta pesquisa que, ao tratar do comportamento em massa, a violência em estádios do ponto de vista intrínseco, o motivo seria interno, ou seja, constituinte do conteúdo esportivo. Ao estudar a violência do ponto de vista extrínseco o motivo seria externo, de fora para dentro, seja por crise econômica, racismo, drogas ou qualquer outra coisa.
Palavras-Chave: Violência, Conflitos, futebol e Massa.
INTRODUÇÃO
Devido o Estado de Roraima ter poucos projetos voltados à contenção e rebelião em massa identificara-se a necessidade de construir um trabalho onde se possam dar parâmetros e linhas de raciocínio ao problema. O conteúdo aqui apresentado foi baseado em estudos relacionados a contenção da população em massa e conhecimentos de causa, no que se refere a contingente de população e controle.
Ao analisarmos a segurança em estágios iremos tomar como parâmetro o esporte futebol que é considerado por muitos a grande paixão popular e caracterizado pela crítica desportiva como o maior fenômeno social dos últimos anos. Essa afirmação é fácil de ser observada ao se analisar o amor que os torcedores têm pelo seu clube.
O caso da violência presente cada dia mais nos estádios é o comportamento em massa mais estudado e conseqüentemente relacionado com a segurança nestes locais, esse fato tem afastado o torcedor do estádio, que vem optando por várias vezes assistir aos jogos em casa, diante do conforto e principalmente, distante da violência.
Esportes em que ocorre muito contato físico, muitas vezes até de forma bem agressiva, pode acabar acarretando em agressividade, o futebol como meio de expressão de identidades nacionais ou locais tornou-se tema comum de ensaio e pesquisa no que se refere à canalização de algumas formas de agressividade não precisamente dentro do campo, mas em todo o estádio, sobretudo nas arquibancadas, o que, de certa maneira, faz com que a segurança deva ser mais intensificada e organizada.
Nas análises de Paim e Strez1, no momento em que uma pessoa participa de uma torcida organizada, ela está sendo constituída de situações de expansão de várias emoções, muitas vezes reprimidas pelo meio social do cotidiano. Desta forma, é diante da torcida que essa pessoa demonstra sua identidade e começa a manifestar e agir de maneira que não faria isoladamente, colocando para fora todo sentimento de impotência e frustração pessoal, que foram diluídas no coletivo das arquibancadas.
1-SEGURANÇA EM ESTADIOS
Um estudo elaborado por especialistas em comportamento de massas da Universidade de Liverpool e da Academia de Polícia holandesa, denominado 'Low-profile', que teve muito sucesso na Eurocopa 2004, tornou-se referência pela Europa. O holandês Otto Adang, o inglês Clifford Stott e a alemã Martina Schreiber elaboraram uma nova proposta de ação das forças policiais em eventos esportivos.
Otto Adang, que acompanha o hooliganismo (movimento dos hooligans) nos estádios europeus desde 1986, iniciou seus estudos com primatas do Zoológico de Arhem. Depois, estudou o comportamento da polícia, finalizando seus estudos ao acompanhar o comportamento das multidões.
Misturar policiais devidamente caracterizados com uma identificação fácil, bem visível (coletes nas cores verde limão) com policiais à paisana. Os fardados, em menor número, e numa distância que dificulte a provocação dos vândalos, que eram imediatamente identificados e presos pelos policiais à paisana é claro para ambas as partes sabem identificar quem são os policiais fardados e a paisana. A atuação era tão rápida e de sucesso, que outros torcedores nem percebiam que haviam policiais à paisana entre eles, estes eram alguns dos pontos da pesquisa.
Apesar de uma presença visível de um pequeno número de policiais (facilmente identificáveis pelas suas roupas) os potenciais incidentes eram imediatamente contidos, numa resposta veloz e apropriada (sem o uso extremo e desafiador da força policial), o que acaba por acalmar a situação.
Os limites de atuação, seja dos torcedores, seja dos policiais era claro para ambas as partes, que se conhecem. A atuação era tão rápida e de sucesso, que outros torcedores nem percebiam que haviam policiais a paisana entre eles.
Como os torcedores 'causadores de problemas' eram previamente identificados, facilitava a ação dos policiais durante os jogos, atentos aos torcedores problema.
A conclusão do estudo é de que o uso de opressão e da força bruta pode controlar o conflito em curto prazo, mas a tendência é que amplie os conflitos na seqüência, tanto em tamanho como em intensidade.
Para o professor Adang, a existência de poucos incidentes durante a Eurocopa é reflexo de "uma abordagem de polícia não visível, prestável mais firme, e não provocadora" diz o pesquisador.
“A prioridade histórica das sociedades onde a consciência individual esta inteiramente fora de si e a necessidade de explicar os fenômenos individuais pelo estado da coletividade, e não o estado de coletividade pelos fenômenos individuais” Durkheim.
A intensificação da violência através do comportamento induzido pela coletividade, que ali se encontra como ansiedade em demasia do comportamento irregular que e potencializado pelo uso, às vezes indiscriminado de álcool e outras drogas aumenta a violência em estádios.
Um dos aspectos interessantes que pode ser citado é a utilização de cadetes como observadores policiais inseridos na multidão, estes devem estar aptos a identificar estes sinais o que permite muitas das vezes, uma intervenção policial bem focalizada nos causadores da perturbação, evitando maiores conseqüências em locais de grande aglomeração.
Deve também trabalhar a violência causada pelos próprios policiais nestes locais, neste contexto deve-se qualificar o corpo policial com profissionais sem preconceitos, de posturas amigáveis, porém firme e adequado.
2- ESTÁDIOS, SEGURANÇA E JOGOS DE FUTEBOL
Não há exemplo mais claro de concentração e ocorrência de violência do que em estádios em dia de jogos de futebol, além de mobilizador das massas, é modelador de comportamentos e formador de opinião.
A violência acontece entre os jogadores e também entre os torcedores, com isso está atingindo a popularidade do esporte.
No esporte futebol não resta dúvida de que existem vários outros casos de violência envolvendo jogadores, dirigentes e comissão técnica que exemplificam a violência no futebol do ponto de vista intrínseco. Porém, recentemente, um fato chamou a atenção em todo o mundo, durante uma partida envolvendo Sport (PE) e América (RN) pelo Campeonato Brasileiro, no dia 17 de junho de 2007, quando o técnico americano Lori Sandri saiu de campo algemado por desacato a autoridade. Fato como esse, mostra que cabe não só aos jogadores, mas principalmente a todos os profissionais militantes no futebol, entenderem melhor o significado da palavra respeito.
Tanto a violência do ponto de vista intrínseco quanto a do extrínseco estão presentes no futebol, porém a violência extrínseca, originada de fora para dentro e provocada principalmente pelas torcidas organizadas, vem causando preocupação maior, uma vez que a quantidade de pessoas envolvidas é muito grande, dificultando, inclusive, o trabalho da polícia e ferindo, ou até matando, pessoas inocentes.
Outro exemplo de agressividade são as comemorações das vitórias em que torcedores acabam jogando objetos em atletas e árbitros, além de ser encontradas armas em estádios que pertenciam a torcidas organizadas, fatos que acabam comprometendo o espetáculo e, ainda, colocando em risco a vida de muitas pessoas, é mais que necessário uma política de segurança ágil e firme para conter a fúria da multidão.
O perfil das diversas torcidas participantes e o da policia é fator significativo para a diminuição dos casos de violência, intervenções com mão-de-ferro da força de segurança tem mais probabilidades de criar um problema que de resolvê-lo, na medida em que ela leva os adeptos a sentirem que a Polícia está a agir mal, assim sendo, eles unem-se contra a Polícia e encaram a violência não como 'vândalos', mas como reivindicação de seus direitos". intervenções policiais devem ter apenas como alvo os adeptos cujo comportamento é reprovável e devem ocorrer antes que os acontecimentos fiquem fora de controle".
Não restam dúvidas de que a violência está caracterizada como parte intensa das camadas de toda a sociedade moderna e de que as causas políticas e sociais têm suas parcelas de culpa por tudo que vem ocorrendo nos estádios. Com isso, cabe às autoridades públicas e a toda a sociedade contribuírem para manter o controle dentro dos estádios e também proporcionar o deslocamento dos jovens torcedores para outros movimentos de lazer.
A presença de polícia não visível e a atitude amigável, mas firme dos agentes em relação aos adeptos de futebol e a chave do sucesso da operação de segurança em multidões.
O perfil da segurança não visível, contribuiu para a criação de uma identidade comum dos adeptos do futebol, independentemente da sua região, estimula o auto-policiamento entre as pessoas.
A existência de poucos incidentes durante os campeonatos é o resultado de uma abordagem de polícia não visível, prestável, mas firme e não provocadora.
Auto-policiamento
Os próprios torcedores optam uma atitude de autopoliciamento, colaborando com as autoridades e denunciando situações. Polícia à paisana, criando alguma descontração entre os torcedores agentes muito prestáveis e simpáticos, nesse caso, esteve na dificuldade em "exercer uma gestão pró-ativa, prévia à desordem" e, durante a desordem, para identificar e deter apenas os desordeiros.
Adepto auto policiaram-se
Cria-se um clima de não-violência nos torcedores, que os leva a reprimir atitudes violentas e incentivadora para os que assistissem.
CONCLUSÃO
A conclusão que se chega é que o uso de operação e da força bruta pode controlar o conflito no curto prazo, mas a tendência é que amplie os conflitos na seqüência, tanto em tamanho como em intensidade.
A violência nos estádios, seja do ponto de vista intrínseco ou extrínseco passou a ser considerada um problema social, uma vez que tomou uma proporção tão grande e um grande incômodo aos interesses em torno do evento esportivo.
A segurança nos estádios deve tomar proporções maiores e atuar de forma a controlar e assegurar aos freqüentadores segurança, antes, durante e depois dos eventos. A existência de poucos incidentes durante os campeonatos é o resultado de "uma abordagem de polícia não visível, prestável mais firme, e não provocadora".
Deve-se resgatar o esporte como instrumento educativo e em estádios onde há maiores concentrações principalmente em jogos de futebol, o trabalho da segurança não deve estar só, a conscientização dos torcedores é essencial já que o esporte mobiliza multidões, é símbolo de motivação, é uma paixão nacional, resgatar esse esporte como instrumento educativo é sem dúvida um dos passos para se ter mais controle e menos violência nestes locais.
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