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Na primeira quinzena do mês de março/2005 tomamos conhecimento de várias atitudes tomadas por cidadãos comuns em prol da segurança pública. A primeira delas foi do adolescente John Lennon que, em plena madrugada, à beira de uma rodovia salvou a vida de um motorista de ônibus que estava soterrado em um lamaçal, após um acidente provocado por uma pedrada. Dias depois soubemos que um motorista impediu que uma turista fosse violentada no Mirante do Pasmado, em Botafogo, enfrentando os bandidos sozinho. Dois dias depois uma outra turista, no Aterro do Flamengo, foi socorrida por motoristas que perseguiram um ladrão e recuperaram sua bicicleta roubada. No dia seguinte, um outro motorista, em Niterói, seguiu ladrões que havia roubado um carro, até que conseguiu avisar a Policiais Rodoviários Federais, que prenderam os ladrões, ainda na Ponte Rio-Niterói.
Todas estas pessoas, protagonistas dos fatos narrados, são dignas de reconhecimento e condecoração, não só pelo fato de terem colocado suas vidas em risco, mas também pelo fato de terem tomado uma atitude em defesa de um desconhecido e o melhor de tudo é que assim agiram sem esperar qualquer reconhecimento por seus atos. Simplesmente foram lá e fizeram sua parte. E alguns deles permanecem no anonimato, parecendo coisa de histórias em quadrinhos, do tipo “do amigo de sempre ao seu dispor”.
Talvez o povo do Estado do Rio de Janeiro, cansado de ouvir desculpas do poder público, tenha tomado a decisão de agir por conta própria. Isto não é correto. Nos casos de flagrante delito, na base da intimidação, da “mão grande”, tudo bem, mas a coisa deve parar por aí. Não se arrisquem a enfrentar criminosos na rua, eles podem estar armados e não hesitarão em atirar para conseguir fugir. Mas também não se omitam. Façam a coisa de modo seguro.
Anotem placas, descrição e roupas dos criminosos, direção que seguiram, ou até mesmo siga-os, se assim for possível, mas AVISEM A POLÍCIA SEMPRE! Policiais estão nas ruas 24 horas por dia. Podem até não estar no local onde o crime esteja acontecendo naquele momento, mas estarão por perto ou chegarão logo.
Atitudes como estas fazem com que os bandidos não se sintam impunes e esta “sensação de insegurança deles” nos é muito benéfica. Eles passarão a ter medo de praticar crimes, pois sabem que serão denunciados e de um jeito ou de outro a polícia chegará até eles. Agindo dessa forma a população se transforma nos olhos da polícia. Quanto mais olhos, mais denúncias e maior o êxito nas ações da polícia. A população tem ao seu dispor algumas ferramentas, tais como o disque-denúncia e o Projeto Vigia, este ainda restrito área do 2º Batalhão da PMERJ, em Botafogo, mas que já demonstraram que quando bem utilizados dão um golpe mortal nas atitudes criminosas de qualquer um. Nestes casos o denunciante nem precisa estar no local onde o crime esteja acontecendo ou exposto na rua, basta acionar os meios de comunicação, fornecer os detalhes do que está acontecendo e pronto, os órgãos competentes iniciarão seu trabalho.
Façam sua parte, informem aos organismos da segurança quando algo estiver acontecendo, mesmo quando o que está acontecendo é apenas uma atitude suspeita. Caso suas denúncias não sejam apuradas, reclame diretamente com os dirigentes dos órgãos, com certeza eles vão ouvir você.
Luiz Mattos
Presidente da ONG Viva Polícia
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