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O Brasil discute hoje seu sistema de justiça criminal, que assomou ao centro dos debates como tema prioritário. A Justiça é considerada por amplos segmentos da sociedade como lenta, ineficaz, pouco efetiva, rigorosa com os autores de crimes de baixa elaboração intelectual e ineficaz para atingir membros da elite privilegiada. O sistema penitenciário apresenta-se caótico. Nenhuma Instituição do sistema, entretanto, encontra-se sob mais intenso foco que a Polícia. Se a imagem da Polícia varia de aceitável a excelente, por exemplo, nas pequenas e médias cidades de São Paulo, a atuação de muitos de seus membros, especialmente na periferia das grandes cidades, é classificada muitas vezes como “ineficiente”, “violenta” ou “sujeita a atos de corrupção”. Uma polícia que não conte com a compreensão, aceitação e apoio da comunidade será uma coroa desfalcada de suas cinco jóias principais, ou seja, o respeito institucional (que conduz a ser reconhecida como parceira em qualquer discussão relevante, por parte da sociedade civil, inclusive na formulação do ordenamento jurídico); dotação de verbas governamentais; voluntários seletos disputando ingresso em seus quadros, atraídos pelo prestígio auferido pelos membros da força; auto-estima, a funcionar como poderoso instrumento de comprometimento e inclusão dos profissionais aos elevados princípios éticos que norteiam a Instituição e, finalmente, a jóia mais preciosa – a produção de informações, oriundas da comunidade, sem as quais o enfrentamento da criminalidade jamais poderá prosperar, visto que sem esta, a polícia é cega, surda e muda. Antes é preciso que a Polícia se aproxime dos cidadãos, estabeleça bases de sólida e recíproca confiança. A competência não pode ser substituída, jamais, pela violência. A ocorrência de seguidas ações destrambelhadas e malsucedidas por parte de integrantes da Polícia brasileira tem levado a opinião pública, reproduzida pela classe média e pelos meios de comunicação, a exigir mudanças profundas nesse quadro. Os segmentos mais modernos do pensamento policial são os primeiros a reconhecer esse fato que, a despeito dessas instituições serem seculares, e credoras de uma larga folha de bons serviços prestados à sociedade, o ciclo de vida da Polícia brasileira - em especial das Polícias Estaduais, Civil e Militar, precisa ser urgentemente renovado. A luz verde acendeu-se, a porta se abriu. É hora de saltar, rumo à modernidade.
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Muito bom o artigo, mais uma vez abordando um tema de suma importância para a sobrevivência das Instituições, a Gestão pela Qualidade e a relação com os seus clientes.
Só cabe salientar que o salto para a Qualidade já foi dado, como foi comentado acima pelo João Nazareno, princípios de qualidade vêm sendo implantados e aperfeiçoados na Polícia Militar de São Paulo há mais de uma década e os resultados são visíveis, na redução importante de índices criminais, na padronização dos procedimentos operacionais e principalmente na diminuição do número de policiais mortos em serviço.
Quanto à satisfação dos clientes, ainda há muito a se fazer, mas as últimas pesquisas científicas elaboradas nesse sentido mostraram que o grau de confiança da população na Polícia Militar tem crescido constantemente e nunca foi tão elevado, desde que esse controle foi estabelecido.
A satisfação do cliente com o trabalho da sua polícia ainda está abaixo do esperado? Talvez sim, mas o importante é observar a tendência de crescimento nesse quesito, e entender que as iniciativas adotadas devem ser mantidas e aprimoradas.
José Eduardo Bexiga · São Paulo (SP) · 5/3/2008 09:23
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É isso mesmo Borges. Acho, entretanto, que a hora do salto para a modernidade já passou, mas a porta ainda está aberta.
Entendo que o Judiciário Criminal perde muito tempo com procedimentos de pouca relevância cuja resolução deveria ocorrer em instâncias administrativas ou alternativas, muitas das quais, inclusive, já existem. Dessa forma, certamente, ganharia tempo para cuidar do que realmente interessa.
O Estado deveria redistribuir funções que, por não ter definido claramente quem as faça,ou por inércia de outros entes (do Estado), acabam recaindo sobre a Polícia. Quando isso ocorrer, a população enxergará a Polícia com olhos mais amigáveis, pois esta terá tempo e tranquilidade para realizar o que realmente lhe cabe.
Amilcar Antonio Mesquita Rizk · Guarulhos (SP) · 19/8/2008 14:24
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